Quinta-feira, Outubro 27, 2005

K.A.O.S

Confusão.
Momentâneo desnorteio.
Indecisão quanto aos sentimentos e certezas.
O mundo oscila, em velocidade vertiginosa.
Caem os castelos de cartas, espalham-se no ar.
A vida se fragmenta, se fatia, se perde e se desconstrói.
Momento incerto, inseguro, dias de vendaval.
Nada é como parece, nada é o que parece... Tudo é ilusão e bruma.
Em meio às sombras me perco, em meio às sombras me engano.
Erro o caminho, tateando no escuro.
Erro o alvo, erro o julgamento, errôneas percepções.
Balança em fúria louca tudo o que havia conhecido.
Sacodem-se desabaladamente todas as verdades.
A decepção torna-se ela mesma uma ilusão.
O medo e o fracasso tornam-se poeira cósmica.
A solidão se cria em meio ao caos,
Amparada pela imensa sensação de desamparo.
Tudo o que era sólido se desfaz no ar.

Sexta-feira, Outubro 21, 2005

Nunca, Nunca Mais

Nunca mais a alegria do sorriso que me enchia de esperança
Nunca mais a certeza plena da minha importância
Nunca mais aquele carinho sempre presente, que afastava qualquer nuvem
Nunca mais seus olhos doces que me olhavam fundo
Nunca mais saber que sou tão amada
Nunca mais saber que alguém pensa em mim todo o tempo
Nunca mais ter ao lado sua confiante imagem
Nunca mais a serenidade das tardes de confidências mútuas.

Choro, choro tanto, por tudo que perdi.
Choro por saber que jamais existirá alguém como você,
Que faça eu me sentir essencial, que faça eu me sentir tão importante,
Nunca mais alguém para secar minhas lágrimas com palavras suaves,
Nunca mais quem console minha mágoa.

Jamais serei tão importante quanto fui
Tampouco serei tão amada
Jamais voltarei a ser a prioridade absoluta,
Aquela que estava acima de qualquer compromisso,
De qualquer outra pessoa, de qualquer outra coisa.
Nunca mais ser especial.
Nunca mais ser o retrato que se tem sempre ao lado.
Nunca mais teu sorriso,
Nunca mais teu espírito,
Nunca mais seu imenso carinho.

Choro, choro tanto.
A solidão me inunda e abafa qualquer outro sentimento bom.
Estou árida, seca, deserto me tornei, deserto onde ecoam somente lembranças,
Somente nuvens, somente sombras.
Deserto que se perdeu de si mesmo,
Perdido na imensa tristeza que se tornaram os dias.

Quarta-feira, Agosto 31, 2005

Entressafra

Entressafra.
Dia nublado, dia de sombra, dia obscuro,
Mas distancia-se a tempestade.
Dia de incerteza e pisadas em ovos,
Dia de vacilantes passos rumo ao novo,
Ao inescrutável futuro.
No entanto, a tormenta foi embora,
A escuridão se afastou,
O tenebroso vazio esgotou a si mesmo.

Domingo, Agosto 28, 2005

Não Sei

Não sei o que sinto.
Não sei mais quem eu sou.
Só sei que dói.

Não sei mais no que acredito
Não sei mais o que fazer no próximo minuto
Só sei que a confusão me toma de assalto.

Não sei mais por onde andar
Não sei mais o que quero
Só sei que o desânimo me assola a alma.

Não sei mais nada
Não sei o que dizer
Só sei que sou nada... nada mais.

Lágrimas quentes
Choro sentido, incontrolado
Só sei que sinto dor, só sei que sinto mágoa
Só sei o tamanho da saudade, da culpa, da tristeza
Do cansaço, da solidão, da amargura.

Tudo o que queria era poder falar
Falar com calma e deixar sair de mim
O que me envenena, o que me abate, o que me arrebenta as energias.

Tudo o que eu queria era poder ter eu mesma quem me ouvisse,
Quem me entendesse, quem apenas me deixasse falar sem julgar,
Chorar sem criticar, quem me consolasse e garantisse que tudo iria passar.

Mas nunca há tempo, nunca há disponibilidade
E tudo parece tão mais importante do que a minha pobre pessoa,
Que se ocupa horas a fio em eterna atormentação vazia.

Sábado, Agosto 27, 2005

Dia... Noite... Perdida em mim

Por Nikita e tudo o que está lhe acontecendo...
Pela memória contida em seus profundos olhos azuis..
Pela dor enorme que sinto, pela solidão que tem me abalado mais que tudo.
Pela dor da perda que nunca passa. Pela ansiedade da vida, que nunca termina.
Como eu queria que terminasse tudo isso. Como eu queria que terminasse tudo.
E as lágrimas, essas lágrimas que não páram de cair.
Como queria ter alguém aqui. Não presença telefônica e distante, mas realmente aqui.

A Via Láctea

Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mais não me diga isso!
É só hoje e isso passa...
Só me deixe aqui quieto
Isso passa.
Amanhã é outro dia
Não é?
Eu nem sei por quê me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim.
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou.
Mas não me diga isso!
Não me dê atenção!
E obrigado por pensar em mim...

( Legião Urbana )

Quarta-feira, Agosto 24, 2005

Estado de Espírito de Hoje...

Eu perco o sono e choro
Sei que quase desespero
Mas não sei por que
A noite é muito longa
Eu sou capaz de certas coisas
Que eu não quis fazer
Será que alguma coisa
Nisso tudo faz sentido
A vida é sempre um risco
Eu tenho medo do perigo
Lágrimas e chuva
Molham o vidro da janela
Mas ninguém me vê
O mundo é muito injusto
Eu dou plantão dos meus problemas
Que eu quero esquecer
Será que existe alguém
Ou algum motivo importante
Que justifique a vida
Ou pelo menos esse instante
Eu vou contando as horas
E fico ouvindo passos
Quem sabe o fim da história
De mil e uma noites
De suspense no meu quarto

( Lágrimas e Chuva, Kid Abelha )

Segunda-feira, Agosto 22, 2005

Solidão

Sozinha na poeira do dia;
Solidão nada serena que anseia por palavras gentis.
Sozinha na quietude da madrugada,
Mastigando sonhos desfeitos e esperando por uma palavra
Que alivie o cansaço e a angústia
Das longas horas de espera.
Solidão dolorosa, sozinha em meio a muitos;
Sozinha em meio a todos, solidão não desejada,
Porém consentida, sozinha no escuro vazio.
Solidão onde a alma se desmantela inteira,
Sozinha em meio a tantos pensamentos desencontrados.
A noite é longa, e tenho tanto medo !
Tanto peço por um abraço, tanto por um colo onde deitar.
Tantas e tantas vezes peço
Por um pouco de carinho, por um bocadinho de ternura.
O sentimento sombrio se avizinha.
Onde estão todos, e porque não conseguem ver
Com a mesma profundidade dos meus olhos,
Sempre perscrutando almas amadas,
Sempre consolando e tentando aliviar a dor,
A imensa e pura dor de existir ?
Solidão enorme, comprida, solidão sem fim,
Ocupando todos os espaços.
Borboleta aprisionada dentro de si mesma,
Sem conseguir quebrar as correntes.
Borboleta que se envolve em suas próprias asas,
Na vã tentativa de desfazer o frio que lhe corrói a alma.